Alvaro Fernandes Dias (Quatá, 7 de dezembro de 1944) é um historiador, professor e político brasileiro. Filiado ao Podemos (PODE), já exerceu o cargo de governador do Paraná, senador, deputado federal, deputado estadual e vereador de Londrina.
É autor do projeto que propõe o fim do foro especial por prerrogativa de função, conhecido como foro privilegiado, que tramita atualmente na Câmara dos Deputados, autor da Proposta de Emenda Constitucional (PEC s/n/2017), para legitimar a prisão após condenação em segunda instância, PEC para redução do número de Deputados e Senadores, Fim do Voto Obrigatório no Brasil e em 2005 presidiu a CPI da Terra, que analisou os conflitos fundiários no país. Foi candidato à presidência da República nas eleições de 2018. Concorreu à presidência, logrando a nona colocação, com 0,8% dos votos válidos.
Biografia
Filho de paulistas católicos que ajudaram a colonizar o norte do estado do Paraná, seu pai foi Silvino Fernandes Dias, um agricultor de origem portuguesa, e sua mãe Helena Fregadolli (Helena Fegaduoli ), dona de casa. Alvaro também descende de imigrantes italianos, sendo neto materno de Federigo Fegaduoli e de Luigia Ferrari, e bisneto do italiano Lorenzo Fegaduoli.
Seu pai Silvino (17 de fevereiro de 1911 – 29 de junho de 2006), cidadão benemérito de Maringá, era natural de Guaratinguetá, estado de São Paulo. Em Quatá Silvino casou-se com Helena e juntos ali tiveram nove dos dez filhos. Na véspera da Segunda Guerra Mundial, Silvino viajou de jardineira do interior paulista, para a cidade paranaense de Londrina. De Londrina, viajou cerca de cem quilômetros a cavalo, por um caminho rústico na mata virgem, até o povoado de Lovat, que viria a se transformar futuramente na cidade de Mandaguari. Neste povoado, no escritório da Companhia de Terras do Norte do Paraná, empresa de ingleses que colonizavam a região, Silvino escolheu e adquiriu em 1938 uma gleba de cem alqueires, ainda de mata virgem, que escolheu por dispor de bastante água e por estar próxima ao traçado da ferrovia que ele já sabia por onde iria passar. A fazenda foi batizada com o nome de Diamante (Fazenda Diamante) e teve em seus primórdios o café como principal cultura. Somente em 1954 a família mudou-se definitivamente para a fazenda em Maringá, que havia formado em 1938.
Alvaro nasceu no município de Quatá, no interior de São Paulo, e foi criado em Maringá, onde foi radialista. Entretanto, foi em Londrina que formou-se em História em 1967, pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Londrina, atual Universidade Estadual de Londrina.
Alvaro é irmão do político Osmar Dias e do empresário Orlando Dias, além de irmão de Sílvio, Ademar, José, Hélio, Paulo, Bento e Terezinha. É casado com Débora Amaral de Almeida Fernandes Dias. Tem quatro filhos: Raphaela, Carolina, Alvaro e Raíssa
Carreira política
Iniciou sua carreira política elegendo-se vereador de Londrina em 1968 pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), exercendo o mandato até 1971.
Nas eleições de 1970, concorreu ao cargo de deputado estadual, tendo sido eleito e exercendo o cargo até 1974
Nas eleições de 1974, foi eleito deputado federal com 175 434 votos. Assumiu a cadeira em 1975, sendo reeleito nas eleições de 1978 com 127 903 votos, a maior votação em toda a história de seu estado. Durante sua legislatura, teve seu nome incluído em diversas listas de cassação elaboradas pelo regime militar, em virtude de sua postura radicalmente oposicionista ao governo federal. Em seu segundo mandato, iniciado em 1979, tornou-se um dos vice-líderes do MDB na Câmara, destacando-se ainda por seus veementes discursos denunciando a existência de corrupção no governo militar. Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).
Em 1982, foi eleito senador pelo PMDB, com 1 668 495 votos, ao derrotar o ex-governador paranaense Nei Braga, candidato do Partido Democrático Social (PDS), num contexto de ascensão das forças oposicionistas ao governo federal. Tomou posse em seu mandato de senador em fevereiro de 1983, tendo sido presidente da Comissão de Educação e Cultura, da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), encarregada de investigar atos de terrorismo, além de suplente das comissões de Legislação Social e de Relações Exteriores. Nesse período, exerceu a presidência do diretório regional do PMDB paranaense e concentrou sua atuação no movimento pela redemocratização do país, participando ativamente da campanha das diretas para a presidência da República.
Em 1984, foi organizador do primeiro grande comício realizado em Curitiba pelas Diretas Já, contrariando a opinião de setores moderados do partido que relutavam em levar a campanha às ruas, que ocorreu em 12 de janeiro de 1984, com palanque montado na praça Osório na região da Boca Maldita, no centro de Curitiba.
Em 1986, foi eleito governador do Paraná com 2 347 795 votos, na legenda do PMDB, derrotando o candidato da Frente Popular de Oposições, o ex-deputado federal Alencar Furtado, que concorreu na legenda do Partido Municipalista Brasileiro (PMB), apoiado pelo Partido da Frente Liberal (PFL) e pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), legenda do candidato a vice-governador, o ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner. Nessas eleições, o PMDB elegeu os governadores de todos os estados, com exceção de Sergipe.[32]
Como governador, promoveu uma profunda reforma administrativa, que incluiu enxugamento do estado, cortes de privilégios e combate à corrupção, o que contribuiu para que a sua gestão fosse marcada por altos índices de aprovação. Em seu segundo ano de governo, Alvaro alcançou a marca de 90% de aprovação, segundo o Ibope Ao final do mandato, conforme noticiou o jornalista Joelmir Beting, do Jornal Nacional, Dias entregou um Paraná que foi o único estado do país que encerrou o ano de 1991 não só sem déficit econômico, mas com superávit acima de 6 bilhões de cruzeiros.
Em 1989, disputou (com Ulysses Guimarães, Waldir Pires e Iris Rezende) e perdeu as prévias para ser o candidato do PMDB à presidência da República. No mesmo ano, desfiliou-se do PMDB e se juntou ao PST. Após a extinção deste, se filiou, em 1994, ao PP e perdeu as eleições para o governo do estado, obtendo 1.455.648 votos (cerca de 38,55%), contra para Jaime Lerner, que obteve 2.070.970 votos (54,85%). No mesmo ano, filiou-se ao PSDB.
Em 1998, elegeu-se senador da República pela segunda vez – a primeira desde a redemocratização – com 2.532.010 votos.
Em 2002, foi expulso do PSDB, junto com seu irmão Osmar Dias, por assinar requerimento de abertura pela CPI da Corrupção durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e se filiou ao PDT.
No mesmo ano, foi derrotado nas eleições para governador do Paraná, perdendo no segundo turno para Roberto Requião. Após menos de dois anos no PDT, retornou ao PSDB em 2003.
Foi reeleito ao cargo de senador em 2006, com 2 572 481 votos, 50,5 por cento do votos válidos, tendo como primeiro suplente Wilson Matos. Em 2010, foi apontado pelo PSDB para ser candidato a vice-presidente na chapa de José Serra, porém foi rejeitado pelos outros partidos da coalizão. Foi líder do PSDB no Senado Federal de fevereiro de 2011 a janeiro de 2013.
Nas eleições 2014, Alvaro Dias foi reeleito para o terceiro mandato consecutivo como senador da República com 4 101 848 votos, 77 por cento dos votos válidos, tendo como primeiro suplente Joel Malucelli. No segundo semestre de 2015, Alvaro Dias desfiliou-se do PSDB, partido onde permaneceu por mais de dez anos, para entrar no PV, assim almejando concorrer para presidente nas eleições de 2018.
Candidato à presidência em 2018
Em julho de 2017, anunciou sua saída do partido e filiou-se ao Podemos (PODE). Em discurso, Alvaro Dias apontou a urgência para mudança na cultura política do país e criticou a “herança maldita de governantes corruptos e incompetentes”. “O povo brasileiro exige mudanças, mas esses ventos ainda não chegaram à política”, disse o senador, que encerrou seu discurso bastante emocionado. Lançou pré-candidatura para disputar as eleições à presidência da República em 23 de março de 2018. No dia 3 de agosto de 2018, Alvaro foi oficializado como candidato à presidência pelo partido. Teve como candidato à vice-presidente o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, do PSC.
Candidato à presidência do país, em 2018, Alvaro Dias prometia “refundar” a República e romper com o modelo político, que ele classificava como um balcão de negócios. A proposta se resumia em um conjunto de reformas que começaria pela reforma de Estado necessária para acabar com a velha política, substituindo o sistema de governança, marcado pela incompetência e corrupção,por um novo sistema baseado em um pacto social com a população para renovar a política do país. Entre os candidatos a Presidência, foi um dos políticos com os menores índices de rejeição.
Eleições 2022
Em 2022, se candidatou a reeleição no senado, onde enfrentou uma campanha polarizada entre ele e o ex-juíz e ex-ministro da justiça Sérgio Moro, que inclusive, naquela mesma eleição, quase se lançou candidato a presidência com o apoio de Álvaro. As últimas pesquisas assinalavam vitória do senador ou empate técnico entre ele e Moro. No fim, Álvaro Dias encerrou a campanha em 3° lugar, com 1.396.089 votos (23,94%), atrás de Moro e de Paulo Martins, que tinha o apoio do presidente Jair Bolsonaro.
Fonte – Wikipedia